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Humanização no tratamento renal: por que os cuidados paliativos fazem a diferença

Recife, 17de abril de 2026

A medicina tem avançado significativamente no tratamento das doenças renais, mas há um momento em que prolongar a vida deixa de ser o único objetivo, e garantir conforto e qualidade de vida para o paciente torna-se igualmente importante. “É essencial entender que cuidar vai muito além de tentar curar. Em muitos casos, é sobre aliviar o sofrimento e garantir dignidade. É nesse contexto que se destacam os cuidados paliativos em nefrologia, uma abordagem ainda pouco discutida fora do meio especializado, mas essencial para pacientes com doença renal crônica avançada”, afirma a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.

De acordo com Vivianne Pinheiro, a dimensão do problema reforça a importância do tema. No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que mais de 150 mil pessoas estão em diálise, com crescimento anual em torno de 5% a 7%. Nos estágios mais avançados da doença, quando os rins já não conseguem desempenhar plenamente suas funções, afirma a médica, muitos pacientes convivem com sintomas intensos. “Estudos indicam que mais de 70% dos pacientes com doença renal avançada relatam fadiga significativa, enquanto o prurido urêmico (coceira na pele) pode afetar entre 40% e 50% dos casos. Náuseas, dor e falta de ar também são frequentes e, muitas vezes, subtratados ou pouco controlados, impactando diretamente a qualidade de vida”, ressalta.

É justamente nesse ponto que os cuidados paliativos ganham ainda mais relevância. Evidências apontam que essa abordagem pode reduzir significativamente a intensidade dos sintomas, melhorar o bem-estar geral e até diminuir internações hospitalares evitáveis. “Em alguns estudos, pacientes acompanhados por equipes paliativistas apresentaram redução de até 30% nas hospitalizações e melhor controle de sintomas físicos e emocionais. Ainda persiste a ideia de que o tratamento deve seguir um único caminho, mas, na prática, ele precisa ser individualizado”, explica Vivianne Pinheiro. “Cada paciente tem uma história, um contexto e prioridades diferentes, e isso deve ser considerado em todas as decisões”, complementa.

Pacientes acompanhados em cuidados paliativos apresentam menores índices de ansiedade e depressão

A médica Vivianne Pinheiro destaca que, além do controle clínico, os benefícios se refletem na saúde emocional. “Pacientes acompanhados em cuidados paliativos apresentam menores índices de ansiedade e depressão, além de maior satisfação com o cuidado recebido. Há ainda ganhos para as famílias, como melhor compreensão da doença e redução do estresse associado ao adoecimento”, afirma.

Nas fases mais avançadas, o acompanhamento contínuo e humanizado é determinante. “Cuidado paliativo não é abandono. É uma forma ativa de cuidar, focada no alívio do sofrimento e no respeito às escolhas do paciente. O objetivo é garantir qualidade de vida ao longo de toda a trajetória da doença”, destaca a nefrologista. “O controle de sintomas é fundamental. Não podemos normalizar o sofrimento desses pacientes. Há recursos eficazes para melhorar o bem-estar, e eles devem ser utilizados de forma adequada”, afirma.

“Planejar o cuidado com antecedência faz toda a diferença”, explica Vivianne Pinheiro. “Quando o paciente participa das decisões, conseguimos alinhar o tratamento com aquilo que realmente importa para ele, seja ter mais conforto, manter sua rotina ou estar próximo da família. Esse olhar mais amplo sobre o cuidado tem ganhado força no Brasil e no mundo, com a integração cada vez maior dos cuidados paliativos ao acompanhamento de doenças crônicas”, ressalta a médica.

De acordo com Vivianne Pinheiro, além de melhorar a qualidade de vida, essa abordagem também está associada ao uso mais adequado dos recursos de saúde, evitando intervenções desnecessárias e promovendo um cuidado mais eficiente e humanizado. “Então, todo paciente portador de doença renal crônica avançada, dialítico ou não, deve ter uma conversa sobre diretiva antecipada de vontade com possibilidade de diálise com fins paliativos, com redução de horários e sob demanda para tratar sintomas. isso depende de uma avaliação individualizada principalmente em pacientes com mais idade, mais comorbidades, funcionalidade reduzida e/ou desnutrição severa”, orienta a nefrologista.

“Outro pilar importante é a comunicação, continua Vivianne Pinheiro. “Equipes multiprofissionais trabalham para compreender os valores, desejos e prioridades de cada paciente, promovendo um cuidado mais próximo e personalizado. Nesse contexto, iniciativas institucionais fazem diferença na prática assistencial. O Grupo Uninefron, por exemplo, conta com uma equipe multidisciplinar formada por nefrologistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogo, assistente social e fisioterapeutas, que atuam de forma integrada para oferecer um cuidado integral e humanizado ao paciente renal. Essa atuação contribui não apenas para o controle de sintomas, mas também para melhores desfechos clínicos e maior satisfação dos pacientes e familiares”, conclui a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.

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