Recife, 18 de setembro de 2026
Conviver com a doença renal crônica exige mudanças profundas na rotina, especialmente para quem depende da diálise para manter as funções do organismo. Além das sessões regulares de tratamento, que geralmente ocorrem três vezes por semana e duram cerca de quatro horas cada, esses pacientes precisam de um acompanhamento nutricional rigoroso para evitar complicações, preservar a massa muscular e manter o equilíbrio do organismo. “A alimentação é parte do tratamento e influencia diretamente a resposta clínica do paciente. Quando a terapia nutricional é conduzida de forma adequada, ela contribui para a prevenção de complicações e para uma melhor qualidade de vida”, afirma a nutricionista Roberta Barreto, do Grupo Uninefron.
Nesse contexto, acrescenta ela, a terapia nutricional se torna uma aliada indispensável para a qualidade de vida e para a eficácia do tratamento. No Brasil, mais de 160 mil pessoas realizam diálise, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Entre elas, a desnutrição é uma condição frequente, atingindo entre 20% e 50% dos pacientes em hemodiálise, conforme apontam estudos científicos. “O problema está diretamente relacionado ao aumento do risco de hospitalizações, infecções e mortalidade, tornando o acompanhamento nutricional uma etapa essencial do cuidado”, garante Roberta Barreto.
Segundo a nutricionista, a alimentação faz parte do tratamento e deve ser planejada de forma individualizada para atender às necessidades de cada paciente. “A terapia nutricional vai muito além da elaboração de um cardápio. Ela é uma estratégia clínica que busca recuperar e manter o estado nutricional, considerando o quadro de saúde, os exames laboratoriais e o tipo de terapia dialítica. O objetivo é oferecer ao organismo as condições necessárias para responder melhor ao tratamento”, explica a especialista.
A terapia nutricional ajuda evitar a perda de massa muscular e o agravamento da desnutrição
A nutricionista Roberta Barreto, do Grupo Uninefron, ressalta que entre as principais metas da terapia nutricional está a recuperação e a manutenção do estado nutricional, evitando a perda de massa muscular e o agravamento da desnutrição. “Outro objetivo é minimizar o catabolismo proteico provocado pelo próprio processo dialítico, que favorece a perda de aminoácidos e proteínas durante as sessões”, enfatiza ela.
Para compensar essas perdas, as diretrizes internacionais recomendam que pacientes em hemodiálise consumam entre 1,0 e 1,2 grama de proteína por quilograma de peso corporal por dia, sendo que pelo menos 50% dessas proteínas devem ser de alto valor biológico, presentes em alimentos como carnes, ovos, leite e derivados.
“Durante a diálise, há perda de nutrientes importantes. Por isso, garantir uma ingestão adequada de proteínas é fundamental para preservar a massa muscular, fortalecer o sistema imunológico e favorecer a recuperação do organismo. Essa recomendação é diferente da população em geral justamente porque esses pacientes apresentam necessidades nutricionais específicas”, destaca Roberta Barreto.
Outro objetivo da terapia nutricional é manter o equilíbrio ácido-básico, hidroeletrolítico e dos níveis de minerais e vitaminas
De acordo com Roberta Barreto, outro objetivo da terapia nutricional é manter o equilíbrio ácido-básico, hidroeletrolítico e dos níveis de minerais e vitaminas. “Isso inclui o controle da ingestão de sódio, potássio, fósforo e líquidos, medida importante para prevenir complicações como hipertensão arterial, retenção de líquidos, arritmias cardíacas e alterações ósseas. Em muitos casos, o consumo de sódio deve permanecer abaixo de 2 gramas por dia, enquanto a ingestão de líquidos é definida de forma individual, levando em consideração a função renal residual e o ganho de peso entre as sessões de diálise. A redução dos processos inflamatórios também está entre os objetivos da terapia nutricional”, esclarece a nutricionista.
Pacientes com doença renal crônica frequentemente apresentam inflamação persistente, fator associado ao aumento do risco cardiovascular e à piora do estado nutricional “Quando conseguimos controlar a alimentação de maneira adequada, também contribuímos para minimizar processos inflamatórios, manter o equilíbrio de vitaminas e minerais e melhorar a resposta ao tratamento. Não existe uma dieta única para todos. Cada paciente precisa de um plano alimentar personalizado e de acompanhamento contínuo para alcançar melhores resultados clínicos e mais qualidade de vida”, garante Roberta Barreto.
Além de favorecer o controle metabólico, a terapia nutricional auxilia na prevenção de complicações, melhora a resposta ao tratamento dialítico e contribui para que o paciente mantenha sua autonomia e bem-estar. “Por fim, o acompanhamento nutricional deve ser encarado como parte indispensável da assistência multiprofissional, ajudando a tornar o tratamento mais seguro, eficaz e humanizado”, conclui a nutricionista Roberta Barreto, do Grupo Uninefron.


