Recife, 30 de abril de 2026
No próximo dia 7 de maio, é o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, uma doença silenciosa e progressiva, que pode ultrapassar os limites do sistema reprodutivo e atingir órgãos vitais, incluindo o sistema urinário e os rins. O alerta é do nefrologista do Grupo Uninefron, Mário Henriques. “Embora seja frequentemente associada à dor pélvica e à infertilidade, a doença também pode provocar complicações renais graves, muitas vezes sem sinais evidentes nas fases iniciais. “A maioria dos pacientes não imagina que a endometriose também possa afetar o sistema renal. O problema é que, quando os sintomas aparecem, o comprometimento pode já estar avançado”, sinaliza o médico.
O Dia da Luta contra a Endometriose reforça a importância de ampliar o olhar sobre essa condição, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Em sua forma profunda, a doença se infiltra em estruturas próximas ao útero, como bexiga, intestino e ureteres, canais responsáveis por conduzir a urina dos rins até a bexiga, podendo comprometer diretamente o funcionamento do sistema urinário. De acordo com Mário Henriques, entre as manifestações mais relevantes está a endometriose ureteral, considerada a forma mais comum de acometimento do trato urinário e renal.
“Nesse caso, lesões endometrióticas comprimem ou invadem os ureteres, levando à obstrução parcial ou total do fluxo urinário. Esse quadro pode provocar sintomas como hematúria (presença de sangue na urina), especialmente durante o período menstrual, além de dores intensas e recorrentes. A endometriose ureteral costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas vezes, só identificamos quando já há impacto no rim”, explica Mário Henriques.
A endometriose renal é mais rara, mas pode afetar diretamente a estrutura do rim
De acordo com Mário Henriques, embora seja mais rara, a endometriose renal ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio se desenvolve diretamente no rim ou sobre ele. “Essa condição pode levar à formação de cistos com conteúdo sanguinolento, semelhantes aos observados nos ovários, e que podem comprometer a função renal ao longo do tempo. Embora seja incomum, a endometriose renal exige atenção, pois pode afetar diretamente a estrutura do órgão”, destaca o nefrologista.
A principal preocupação nesses quadros – continua o médico – está nas complicações decorrentes da obstrução urinária crônica. Quando o ureter é bloqueado, a urina se acumula no rim, causando uma dilatação conhecida como hidronefrose. “Sem tratamento adequado, essa condição pode evoluir para perda progressiva e até irreversível da função renal. A obstrução contínua gera uma pressão no rim que, ao longo do tempo, pode levar à perda definitiva da função”, desataca Mário Henriques.
O nefrologista do Grupo Uninefron relata que alguns sinais de alerta devem ser observados, especialmente por mulheres com diagnóstico de endometriose profunda. “Entre eles estão dor lombar persistente, infecções urinárias de repetição, dor ou queimação ao urinar e a presença de sangue na urina durante o ciclo menstrual”, ressalta Mário Henriques. Segundo ele, ainda assim, a ausência de sintomas não exclui a possibilidade de comprometimento renal. “Nem sempre há sintomas claros, por isso o acompanhamento é fundamental mesmo quando a paciente se sente bem”, reforça ele.
O diagnóstico é feito principalmente por meio de exames de imagem, que permitem avaliar tanto a presença de lesões quanto possíveis alterações no trato urinário. “Já o tratamento varia conforme a gravidade do caso, mas frequentemente envolve abordagem cirúrgica para remover as lesões e desobstruir os ureteres”, afirma Mário Henriques. Entre as técnicas disponíveis, a cirurgia robótica tem se destacado por sua precisão e menor impacto no organismo. “Atualmente, existem alguns recursos que permitem um tratamento mais preciso e com melhores resultados, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente, garante o nefrologista.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento multidisciplinar. “Mais do que uma doença ginecológica, a endometriose deve ser compreendida como uma condição sistêmica, capaz de afetar diferentes órgãos e comprometer seriamente a qualidade de vida. A informação é a principal aliada. Quanto antes identificarmos o problema, maiores são as chances de preservar a função renal e evitar complicações graves”, conclui o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron.


