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Jejum intermitente e doença renal crônica: o que pacientes precisam saber antes de aderir à prática

Recife, 17 de julho de 2026

O jejum intermitente ganhou popularidade nos últimos anos como uma estratégia para perda de peso, controle metabólico e melhoria de diversos indicadores de saúde. Protocolos como o 16:8 (que alterna 16 horas de jejum e uma janela de alimentação de 8 horas) atraem cada vez mais adeptos. No entanto, para pessoas que convivem com a doença renal crônica (DRC), a prática exige cautela e acompanhamento profissional. “Embora o jejum intermitente possa trazer benefícios para algumas pessoas, pacientes com doença renal precisam de uma avaliação individualizada. O estágio da doença, o estado nutricional e as condições clínicas associadas fazem toda a diferença na segurança dessa estratégia alimentar”, explica a nutricionista Roberta Barreto, do Grupo Uninefron.

Segundo a nutricionista, o principal desafio é encontrar um equilíbrio entre os possíveis benefícios metabólicos do jejum e a manutenção de um aporte nutricional adequado. “Nem sempre reduzir o período de alimentação significa melhorar a saúde. Para pacientes renais, é fundamental garantir a ingestão correta de calorias, proteínas, vitaminas e minerais para evitar complicações nutricionais”, destaca Roberta Barreto.

A popularidade do jejum intermitente está relacionada aos resultados observados em estudos sobre perda de peso, resistência à insulina e saúde cardiovascular. De acordo com Roberta Barreto, pesquisas apontam que a iniciativa pode contribuir para uma redução de aproximadamente 3% a 8% do peso corporal ao longo de alguns meses, além de favorecer melhorias no controle glicêmico e em fatores de risco associados às doenças cardiovasculares. “Como hipertensão arterial, diabetes e obesidade estão entre as principais causas da doença renal crônica, o tema desperta interesse crescente entre pacientes e profissionais de saúde”, afirma a nutricionista.

A adoção do jejum por pacientes renais deve ser analisada com cautela

Para Roberta Barreto, apesar dos potenciais benefícios, a adoção do jejum por pacientes renais deve ser analisada com cautela. “Isso porque a restrição dos horários de alimentação pode dificultar o consumo adequado de nutrientes essenciais para a manutenção da saúde. Em muitos casos, pessoas com DRC já apresentam risco aumentado de desnutrição proteico-calórica, perda de massa muscular e deficiência de micronutrientes”, ressalta ela.

“Uma das maiores preocupações é que o paciente reduza excessivamente a ingestão de calorias e proteínas ao restringir o número de refeições. Dependendo do estágio da doença, a preservação da massa muscular é um fator decisivo para a qualidade de vida e para a resposta ao tratamento”, garante Roberta Barreto.

A nutricionista chama a atenção para outro ponto importante: a hidratação. Segundo ela, a desidratação, na fase do tratamento conservador, é considerada uma das principais preocupações entre pacientes com doença renal que praticam jejum. De acordo com ela, a redução prolongada da ingestão de líquidos pode provocar queda da pressão arterial, tonturas, fraqueza e alterações nos exames laboratoriais, especialmente em pessoas que utilizam diuréticos ou medicamentos para controle da hipertensão.

“Além disso, a restrição alimentar severa, com inadequadas prescrições de carboidratos, proteínas, minerais, vitaminas e líquidos, pode impactar o equilíbrio metabólico, que já exige monitoramento rigoroso em pacientes renais, como sódio, potássio e fósforo. O consumo inadequado desses nutrientes pode contribuir para complicações cardiovasculares, retenção de líquidos e mais alterações nos diferentes estágios da doença renal”, esclarece Roberta Barreto.

A atenção deve ser redobrada em pacientes com diabetes

De acordo com Roberta Barreto, a atenção para quem faz jejum intermitente deve ser redobrada em pacientes com diabetes, responsável por uma parcela significativa dos casos de doença renal crônica. “Nesses indivíduos, o jejum pode aumentar o risco de hipoglicemia, principalmente quando há uso de insulina ou medicamentos que reduzem os níveis de glicose no sangue. Por isso, o acompanhamento médico e nutricional é indispensável antes de qualquer mudança na rotina alimentar”, diz a nutricionista.

Pacientes em diálise também representam um grupo que exige avaliação individualizada. “Diferentemente da população geral, que necessita em média de 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia, pacientes em hemodiálise frequentemente precisam de cerca de 1,2 grama por quilo diariamente para compensar as perdas proteicas relacionadas ao tratamento. A redução inadequada da ingestão alimentar pode favorecer quadros de desnutrição e perda muscular”, explica Roberta Barreto.

A especialista recomenda ainda que nenhuma pessoa com doença renal crônica inicie protocolos de jejum intermitente sem avaliação profissional. Antes da adoção da prática, devem ser considerados fatores como o estágio da doença, a taxa de filtração glomerular, os níveis de creatinina, o controle da pressão arterial, a presença de diabetes, os exames laboratoriais recentes e o uso de medicamentos.

“O mais importante é construir um plano alimentar individualizado, capaz de atender às necessidades clínicas e nutricionais de cada paciente. A alimentação continua sendo uma das principais ferramentas para preservar a função renal, prevenir complicações e promover qualidade de vida”, conclui a nutricionista do Grupo Uninefron, Roberta Barreto.

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