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Diálise paliativa: individualizando o cuidado na doença renal avançada

Recife, 21 de agosto de 2026

Em um cenário em que o cuidado vai além do tratamento da doença, a diálise também pode assumir um papel voltado à promoção do conforto e da qualidade de vida. De acordo com a nefrologista do Grupo Uninefron, Vivianne Pinheiro, na diálise paliativa, o foco deixa de ser exclusivamente o prolongamento da sobrevida e passa a priorizar o alívio dos sintomas, o bem-estar e o respeito aos valores, às preferências e aos objetivos de cada paciente. “O tratamento é individualizado, buscando oferecer a abordagem mais adequada para cada momento da trajetória da doença”, afirma ela.

“Pensar na melhor abordagem e tratamento para cada paciente é fundamental, principalmente porque a doença renal crônica (DRC) representa um importante problema de saúde pública. Estima-se que cerca de 10% da população mundial apresente algum grau de DRC. “Atualmente, mais de 4 milhões de pessoas recebem terapia renal substitutiva (diálise ou transplante renal) em todo o mundo”, ressalta Vivianne Pinheiro.

A nefrologista ainda chama atenção para o envelhecimento da população. Segundo ela, cresce o número de pacientes idosos e frágeis que necessitam de tratamento renal. Em diversos países, 30% a 40% dos pacientes que iniciam diálise têm 75 anos ou mais, muitos deles com múltiplas doenças crônicas e elevado grau de dependência funcional.

Para quem a diálise paliativa pode ser indicada

A médica Vivianne Pinheiro também destaca o grupo de pessoas que necessitam da diálise paliativa. “É preciso estudar e entender, de fato, para quem o tratamento é indicado. A diálise paliativa pode ser considerada para pacientes com insuficiência renal avançada, que apresentam idade avançada e fragilidade clínica; múltiplas comorbidades, como insuficiência cardíaca avançada, câncer ou demência; elevada carga de sintomas; limitação importante da expectativa de vida; e desejo de priorizar conforto e qualidade de vida”, pontua a nefrologista.

“Nesses pacientes, o benefício da diálise convencional pode ser limitado. Entre pacientes com 75 anos ou mais, a mortalidade no primeiro ano após o início da diálise varia entre 20% e 35%, podendo ultrapassar de 40% a 50% em indivíduos muito frágeis e com múltiplas comorbidades”, relata Vivianne Pinheiro.

Como funciona a individualização do tratamento

A nefrologista explica ainda que, na diálise paliativa, o tratamento deixa de seguir um modelo rígido e passa a ser adaptado às necessidades de cada pessoa. “A frequência, a duração e a intensidade das sessões podem ser ajustadas para controlar sintomas como retenção de líquidos, dispneia, náuseas, prurido e manifestações da uremia, reduzindo o impacto físico e emocional do tratamento”, informa Vivianne Pinheiro.

Ela também afirma que a carga de sintomas nesses pacientes costuma ser elevada: estudos mostram que pessoas com doença renal avançada apresentam, em média, 8 a 12 sintomas simultâneos. Entre os mais frequentes estão: fadiga, prurido urêmico, sintomas depressivos e fragilidade em idosos em diálise. “Além da diálise, o cuidado inclui controle rigoroso dos sintomas, suporte nutricional, acompanhamento psicológico, assistência social e, quando necessário, apoio espiritual, sempre priorizando conforto, autonomia e dignidade”, completa a médica.

A importância da tomada de decisão compartilhada

De acordo com Vivianne Pinheiro, a decisão de iniciar, manter, modificar ou interromper a diálise deve ser construída por meio da tomada de decisão compartilhada entre o paciente, seus familiares e a equipe multiprofissional. “Esse processo envolve discutir o prognóstico, os benefícios e as limitações do tratamento, permitindo que as escolhas estejam alinhadas aos objetivos de vida do paciente. Em indivíduos muito idosos e com alta carga de comorbidades, estudos sugerem que o

ganho de sobrevida com a diálise pode ser modesto, enquanto a qualidade de vida e o controle dos sintomas tornam-se desfechos ainda mais relevantes”, garante ela, acrescentando que a integração precoce dos cuidados paliativos tem sido associada à melhora do controle dos sintomas, maior satisfação dos pacientes e familiares, melhor planejamento antecipado de cuidados e redução de intervenções invasivas no fim da vida.

“A diálise paliativa não representa desistência do tratamento. Pelo contrário, trata-se de uma abordagem centrada na pessoa, que busca oferecer o tratamento mais adequado para cada paciente, equilibrando benefícios, riscos e qualidade de vida. Individualizar o cuidado e promover decisões compartilhadas são pilares fundamentais para uma assistência ética, humanizada e baseada nas melhores evidências científicas. O objetivo dessa modalidade é o controle de sintomas desagradáveis, oferecendo suporte ao paciente estimulando a vida ativa com foco na qualidade de vida”, conclui a nefrologista do Grupo Uninefron, Vivianne Pinheiro.

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