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Entre benefícios e cuidados: o que sabersobre dieta vegetariana na doença renal

Recife, 22 de maio de 2026

A adoção de dietas vegetarianas segue em crescimento no mundo, mas entre pacientes com doença renal crônica, o tema ainda levanta dúvidas e exige cautela. Dados globais indicam que a condição afeta cerca 800 milhões de pessoas, sendo responsável por aproximadamente 1,7 milhão de mortes por ano. De acordo com a nutricionista do Grupo Uninefron, Roberta Barreto, isso reforça a importância de estratégias alimentares seguras e eficazes no seu manejo.

“A alimentação baseada em vegetais pode trazer benefícios relevantes, como melhor controle da pressão arterial, redução de inflamações e impacto positivo no metabolismo. No entanto, esses efeitos dependem diretamente da qualidade da dieta e do acompanhamento profissional, especialmente em pacientes com função renal comprometida”, destaca Roberta Barreto.

A especialista também explica que não existe uma abordagem singular. “Quando falamos em alimentação vegetariana, não estamos falando de um padrão único. Uma dieta rica em vegetais in natura e minimamente processados pode trazer benefícios, mas versões desequilibradas podem até agravar o quadro”, afirma ela.

Apesar das possíveis vantagens, pacientes renais precisam manter controle rigoroso de nutrientes como proteínas, potássio e fósforo. “Em muitos casos, a ingestão de proteína recomendada gira em torno de 0,8gramas/Kg de peso corporal a 1grama. Dependendo da doença de base, comorbidades, avaliação nutricional corpórea e idade. Paciente em tratamento dialítico, há necessidade de aumento da ingestão de fonte de proteína, de forma individualizada”, garante Roberta Barreto.

“Alimentos como feijão, lentilha, castanhas e até alguns vegetais são muito nutritivos, mas podem concentrar potássio e fósforo. Em pacientes com função renal reduzida, isso precisa ser monitorado com exames frequentes”, explica Roberta Barreto. Ela acrescenta que complicações como a hipercalemia, caracterizada pelo excesso de potássio no sangue, estão entre os riscos mais relevantes.

Dieta vegetariana pode contribuir para o controle de fatores

associados à progressão da doença, como hipertensão e diabetes

Roberta Barreto destaca outros aspectos positivos na dieta vegetariana.  “A alimentação baseada em plantas tende a produzir menos carga ácida e menos resíduos metabólicos, o que pode aliviar o trabalho dos rins. Além disso, esse padrão alimentar pode contribuir para o controle de fatores associados à progressão da doença, como hipertensão e diabetes”, pontua a nutricionista.

Ainda assim – continua Roberta Barreto – o consenso entre especialistas é de que não existe uma recomendação universal. “A dieta vegetariana pode ser segura e até benéfica, mas não deve ser iniciada sem acompanhamento. É preciso ajustar por estágio da doença, exames laboratoriais e necessidades individuais”, reforça ela.

“Diante disso, a principal conclusão é que a dieta vegetariana não é necessariamente um risco, mas tampouco é automaticamente segura. Pois, o paciente com insuficiência renal precisa da qualidade da proteína de alto valor biológico- aminoácidos essenciais. Em pacientes com doença renal, ela deve ser encarada como uma estratégia que exige planejamento, monitoramento constante e orientação profissional para equilibrar benefícios e possíveis limitações”, conclui a nutricionista Roberta Barreto, do Grupo Uninefron.

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