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Fístula arteriovenosa é uma das principais aliadas para quem faz hemodiálise

Recife, 24 de abril de 2026

Para quem necessita e convive com a terapia da hemodiálise, o acesso vascular é absolutamente essencial para que o tratamento aconteça de forma eficaz e segura: Muitas pessoas não fazem ideia, mas sem um acesso adequado, não é possível realizar uma diálise eficiente. “É por meio desse procedimento que o sangue sai do corpo, passa pelo processo de filtragem no sistema na máquina da diálise e retorna ao organismo. Nesse contexto, a fístula arteriovenosa se destaca como uma das principais aliadas no tratamento”, explica a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.

A fístula arteriovenosa é uma conexão cirúrgica, realizada por um cirurgião, entre uma artéria e uma veia, geralmente no braço do paciente. “Ao unir esses dois vasos, conseguimos aumentar o fluxo sanguíneo na veia, tornando-a mais resistente e adequada para as punções frequentes e necessárias à terapia”, detalha Ângela Santos. Essa adaptação é essencial para garantir que o procedimento de hemodiálise ocorra de maneira segura e contínua.

“Esse tipo de acesso é considerado o padrão-ouro no tratamento de pacientes renais. A fístula apresenta menor risco de infecção, maior durabilidade e melhores resultados, ao longo do tempo quando comparada a outras opções de acessos vasculares para a terapia dialítica. Além disso, o fluxo sanguíneo mais estável e elevado contribui diretamente para a eficácia da diálise e para a qualidade de vida do paciente”, esclarece Ângela Santos.

A cirurgia para a confecção da fístula, criada na década de 60 pelo cirurgião pioneiro Dr. Appel, e publicada por Brescia e Cimino (Fistula de Brescia -Cimino) é relativamente simples e, na maioria dos casos, realizada com anestesia local e analgesia. No entanto, é preciso planejamento. “A fístula não pode ser usada imediatamente. Existe um período de maturação, que pode levar semanas ou até meses, até que ela esteja pronta para uso”, ressalta Ângela Santos. Durante esse tempo, o acompanhamento é fundamental para avaliar o desenvolvimento adequado do acesso.

Os cuidados na manutenção do acesso vascular no dia a dia também são de extrema importância. “Orientamos os pacientes a não carregar peso no braço da fístula, evitar aferir pressão no local e observar qualquer sinal de alteração, como edema, dor ou vermelhidão. Um indicativo importante de que a fístula está funcionando corretamente é a presença do chamado frêmito, uma leve vibração percebida ao toque”, garante Ângela Santos.

Fístula, enxerto e cateter: qual a diferença?

De acordo com Ângela Santos, embora a fístula arteriovenosa seja a opção preferencial, existem outros tipos de acesso vascular utilizados na hemodiálise, especialmente quando ela não é viável. “O enxerto é uma alternativa em que utilizamos um tubo sintético para fazer a ligação entre artéria e veia”, explica. Segundo ela, apesar de permitir um uso mais rápido, o enxerto apresenta maior risco de infecção e menor durabilidade.

Já o cateter venoso – continua Ângela Santos – é geralmente indicado em situações emergenciais. “Ele é inserido em uma veia de grande calibre e permite iniciar a diálise imediatamente, mas não é a melhor opção para longo prazo. Isso porque está mais suscetível a infecções e outras complicações, como trombose do vaso”, pontua ela.

“Embora o procedimento através da fístula arteriovenosa seja a alternativa mais recomendada, quando a disfunção renal progride e haja uma previsão objetiva de iniciar a terapia renal substitutiva, nem todos os pacientes podem realizar. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, levando em conta as condições dos vasos sanguíneos, o estado de saúde geral e cardiovascular de cada paciente. Entender as opções de tratamento ajuda o paciente a participar ativamente do seu cuidado e melhora os resultados ao longo do tempo”, conclui a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.

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