Recife, 20 de fevereiro de 2026
Inchaço no rosto ao acordar, pernas pesadas ao final do dia ou até aumento repentino de peso são queixas comuns no dia a dia. Muitas vezes, esses sinais são atribuídos ao calor ou ao consumo excessivo de sal. “No entanto, em alguns casos, o edema pode ser um aviso importante de que os rins não estão funcionando adequadamente”, alerta Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.
Ainda de acordo com a médica, o edema é um inchaço que ocorre pelo aumento do volume intersticial, sendo o edema de origem renal resultado da perda da capacidade dos rins em manter o equilíbrio de líquidos no organismo. “Os rins têm um papel fundamental no controle da água e do sódio no corpo. Quando essa função é comprometida, o líquido começa a se acumular nos tecidos, causando o inchaço”, explica Vivianne Pinheiro.
A nefrologista também ressalta que os rins filtram, em média, cerca de 180 litros de sangue por dia, regulando a quantidade de líquidos e eliminando substâncias tóxicas. “Quando essa filtragem é prejudicada, ocorre retenção de sódio e água, um dos principais mecanismos responsáveis pelo edema”, afirma Vivianne Pinheiro, lembrando que a doença renal crônica afeta aproximadamente 10% da população adulta mundial, muitas vezes de forma silenciosa.
“Um dos sinais mais característicos do edema renal é sua distribuição no corpo. ELE PODE SER LOCALIZADO OU GENERALIZADO SENDO muito comum que o paciente perceba o rosto inchado, principalmente ao redor dos olhos, logo pela manhã. Ao longo do dia, esse edema tende a se deslocar para pernas e tornozelos. Em casos mais graves, o acúmulo de líquido pode se espalhar por todo o corpo, condição conhecida como anasarca, mais frequente em fases avançadas da doença renal OU NA SÍNDROME NEFRÓTICA”, destaca Vivianne Pinheiro.
Atenção para as principais causas do edema de origem renal
Entre as principais causas do edema de origem renal estão doenças como síndrome nefrótica, glomerulonefrites, nefropatia diabética e doença renal crônica. Segundo Vivianne Pinheiro, na síndrome nefrótica, por exemplo, a perda de proteínas pela urina pode ultrapassar 3,5 gramas por dia. “Quando os níveis de albumina no sangue caem abaixo de 3,0 g/dL, o risco de edema aumenta significativamente”, garante ela.
Além do inchaço, outros sinais costumam acompanhar os problemas renais. “Dados clínicos mostram que cerca de 70% dos pacientes com doença renal crônica também apresentam hipertensão arterial, urina espumosa comum nos casos de proteinúria e aumento da frequência das micções a noite. Esses sintomas nem sempre chamam atenção no início, o que contribui para o diagnóstico tardio”, alerta Vivianne Pinheiro.
O diagnóstico envolve exames simples, como análise de urina e exames de sangue com dosagem de creatinina para avaliar a taxa de filtração glomerular que é um dos principais parâmetros avaliados, e valores abaixo de 60 mL/min/1,73 m², mantidos por mais de três meses, já indicam doença renal crônica.
Segundo a médica Vivianne Pinheiro, o tratamento depende da causa do edema, mas geralmente inclui restrição de sal, recomendada em torno de até 5 gramas por dia, uso de diuréticos e tratamento da doença de base. “O diagnóstico precoce pode retardar a progressão da doença e reduzir a necessidade de diálise, que hoje é realidade para mais de 150 mil brasileiros”, ressalta.
A especialista reforça ainda que o edema persistente não deve ser encarado como algo normal. “O inchaço pode ser o primeiro sinal de uma doença renal silenciosa. Procurar avaliação médica ao notar esse sintoma é um passo fundamental para cuidar da saúde. Cuidar dos rins é também cuidar do equilíbrio do corpo como um todo — e, muitas vezes, o inchaço é o primeiro pedido de ajuda que eles fazem”, conclui a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.


