Recife, 19 de março de 2026
Você já ouviu falar em infecções fúngicas? Trata-se de infecções, também chamadas de micoses, causadas por fungos, organismos microscópicos que vivem no ambiente, em superfícies, no solo e até no corpo humano. Em condições normais, muitos desses fungos convivem com o organismo sem causar problemas. “No entanto, quando o sistema imunológico está enfraquecido ou existe algum fator de risco, esses microrganismos podem crescer de forma descontrolada e provocar infecções, comprometendo a saúde do paciente renal”, alerta a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.
De acordo com ela, essas infecções podem acometer pacientes submetidos à diálise, seja hemodiálise ou diálise peritoneal, configurando uma complicação relevante e, muitas vezes, grave. “Isso ocorre devido à combinação da imunossupressão relativa com diversos fatores predisponentes. O paciente dialítico é naturalmente mais vulnerável, especialmente pela REDUÇAO da imunidade inata e pelo uso prolongado de dispositivos invasivos, como uso de cateter peritoneal ou para hemodiálise”, explica Vivianne Pinheiro.
Esses pacientes, quando frequentemente expostos a internações, antibióticos de amplo espectro e múltiplos procedimentos invasivos, apresentam risco aumentado para infecções por fungos. “Além da imunidade comprometida, fatores como diabetes, desnutrição e o tempo prolongado em terapia dialítica são determinantes importantes para a suscetibilidade a esses agentes”, acrescenta a nefrologista.
Principais fungos e suas manifestações nos pacientes renais
A médica Vivianne Pinheiro explica que, entre os principais fungos envolvidos, destacam- se os do gênero Candida, especialmente Candida albicans, responsáveis por candidemias e peritonites fúngicas. “A candidemia associada a cateter é uma das formas mais graves que enfrentamos na hemodiálise, com impacto direto na mortalidade”, alerta a nefrologista, acrescentando que fungos como Aspergillus, Cryptococcus e Histoplasma também podem acometer esses pacientes, embora com menor frequência e, geralmente, em contextos de imunossupressão severa.
Na prática clínica, as infecções fúngicas se manifestam de forma diferente, conforme o tipo de diálise. Na hemodiálise, o foco costuma ser o cateter venoso central. “A presença de biofilmes fúngicos nos cateteres é um problema sério. Muitas vezes, o diagnóstico só é possível com a retirada do cateter para análise direta. Já na diálise peritoneal, destaca-se a peritonite fúngica, geralmente causada por Candida, que se apresenta com dor abdominal, febre e líquido peritoneal turvo”, esclarece Vivianne Pinheiro.
Tratamento correto é essencial para resultados mais positivos
Quanto ao tratamento, a remoção do dispositivo infectado é uma medida fundamental. “Não adianta tratar com antifúngicos se o foco da infecção, como o cateter VENOSO CENTRAL ou o cateter peritoneal, permanece no organismo”, enfatiza Vivianne Pinheiro. “A escolha do antifúngico depende do agente identificado: fluconazol é indicado para Candida albicans, enquanto equinocandinas ou anfotericina B são necessários para espécies resistentes ou infecções graves. No caso da peritonite fúngica, é comum a necessidade de encerrar a diálise peritoneal e migrar o paciente para hemodiálise”, ressalta ela.
A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. “A adesão a uma técnica asséptica rigorosa, o controle do uso de antibióticos e a vigilância constante sobre sinais de infecção são medidas fundamentais. Em alguns casos de risco elevado, como após episódios repetidos de peritonite bacteriana, pode-se considerar a profilaxia antifúngica como medida preventiva adicional”, finaliza a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista.


