Recife, 6 de fevereiro de 2026
Carnaval 2026: como os pacientes renais podem aproveitar a festa sem riscos à saúde
Com a chegada do Carnaval 2026, milhares de foliões já se preparam para dias de festa, calor intenso e muita animação. Entre eles, pacientes renais também podem aproveitar o período, desde que adotem cuidados específicos para preservar a saúde. De acordo com o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron, o Carnaval costuma provocar mudanças importantes na rotina, o que exige atenção redobrada de quem convive com doença renal. “O período carnavalesco envolve maior esforço físico, exposição prolongada ao sol e alterações na alimentação e na ingestão de líquidos. Por isso, seguir as orientações médicas é essencial para evitar complicações”, destaca.
Um dos principais pontos de atenção durante o Carnaval é a hidratação, que deve estar diretamente associada aos cuidados com a alimentação. Segundo o especialista, tanto a desidratação quanto o consumo excessivo de líquidos, leia-se aí: água de coco, sucos, gelo, bebidas alcoólicas, refrigerante, sorvete, picolé, entre outros, pode ser prejudicial. “No calor intenso, é comum aumentar o consumo de líquidos de forma descontrolada. O excesso de ingestão hídrica para pacientes renais, em programa de diálise, pode levar a comprometimentos pulmonar e cardíaco, causando o sintoma de dispnéia, que é o cansaço respiratório. O ideal é manter o equilíbrio e respeitar a quantidade indicada pelo médico, evitando tanto a falta quanto o excesso”, orienta Mário Henriques.
O nefrologista também reforça que a alimentação precisa ser planejada. “O consumo frequente de alimentos ricos em sódio, aditivos conservantes, potássio e fósforo, encontrados em salgadinhos, fast food, defumados, embutidos e produtos ultraprocessados, favorece a retenção de líquidos e potássio, causando o aumento da pressão arterial e risco de arritmias cardíacas. A orientação é priorizar refeições leves e compatíveis com a dieta recomendada para cada paciente”, explica ele.
Cautela ao consumir bebidas alcoólicas e proteção contra o sol são fundamentais
De acordo com o nefrologista Mário Henriques, o consumo de bebidas alcoólicas nesse período prolongado de Carnaval também deve ser avaliado com cautela. “Isso porque o álcool pode agravar a desidratação e aumentar a sobrecarga renal. Quando liberado pelo médico, deve ser ingerido com moderação e sempre dentro dos limites estabelecidos”, ressalta.
Além disso, a proteção contra o sol é fundamental para evitar complicações como insolação e perda excessiva de líquidos. “Evitar exposição nos horários mais quentes do dia, usar protetor solar, chapéus, bonés e roupas leves são medidas simples, mas muito eficazes”, reforça Mário Henriques.
O especialista também destaca a importância de respeitar os limites do corpo. “O esforço físico exagerado pode ser perigoso, especialmente para pacientes em diálise. Ao perceber sinais de cansaço, tontura ou mal-estar, o ideal é interromper a atividade e descansar”, orienta o nefrologista.
O médico Mário Henriques também orienta e dá dicas sobre outros cuidados que são fundamentais para garantir uma folia mais segura. Veja:
Uso correto de medicamentos: Manter os horários e levar todos os medicamentos necessários, principalmente em caso de viagens. A interrupção do tratamento pode trazer riscos importantes.
Cuidados com fístula ou cateter: Essas estruturas exigem atenção especial. É fundamental protegê-las contra impactos ou ferimentos que possam comprometer o tratamento.
Evitar aglomerações excessivas: Ambientes muito cheios aumentam o risco de infecções. Sempre que possível, prefira locais mais arejados e eventos com melhor organização.
Pacientes que realizam hemodiálise e planejam viajar durante o Carnaval também devem avisar à clínica com antecedência. “Esse planejamento é essencial para garantir a continuidade do tratamento no destino”, destaca Mário Henriques.
Atenção para o risco de rabdomiólise durante o Carnaval
Outro alerta importante para o Carnaval 2026 é o risco de rabdomiólise, uma condição grave causada pela degradação muscular, geralmente associada a esforço físico intenso, desidratação, insolação, uso excessivo de álcool, drogas ilícitas ou automedicação. “A rabdomiólise é especialmente perigosa para pacientes renais, pois os rins precisam filtrar substâncias tóxicas liberadas pelos músculos, como a mioglobina, o que pode levar à insuficiência renal aguda”, explica Mário Henriques.
Os sintomas podem variar de leves a graves e incluem fraqueza muscular, dores, inchaços, urina escura, náuseas, tonturas e falta de ar. Ao perceber qualquer um desses sinais, é fundamental procurar atendimento médico. “O tratamento envolve hidratação intensa, controle rigoroso dos eletrólitos e, em casos mais graves, a necessidade de diálise”, esclarece Mário Henriques, acrescentando que o acompanhamento médico contínuo é indispensável até que o quadro esteja estabilizado e o paciente fora de risco. “Em pacientes com função renal já comprometida, o quadro pode evoluir rapidamente e de forma mais grave. Fatores como desidratação, medicamentos nefrotóxicos e comorbidades comuns em pacientes renais podem agravar ainda mais a situação, com o paciente apresentando ainda redução na produção de urina e sangramentos inexplicáveis. Com informação, planejamento e cuidados adequados, pacientes renais podem aproveitar o Carnaval 2026 com mais segurança e tranquilidade”, garante.


