Recife, 16 de outubro de 2026
Gases, estufamento, náuseas, constipação, diarreia e desconforto abdominal são sintomas que podem fazer parte da rotina de pacientes com doença renal crônica e que, em alguns casos, estão relacionados a alterações na função gastrointestinal e na microbiota intestinal. De acordo com a nutricionista do Grupo Uninefron, Roberta Barreto, entre as condições que vêm ganhando atenção está a SIBO, sigla em inglês para Small Intestinal Bacterial Overgrowth, ou supercrescimento bacteriano no intestino delgado.
De acordo com Roberta Barreto, um estudo com pacientes com insuficiência renal crônica identificou SIBO em 36% dos participantes. “Entre os pacientes que apresentavam alterações na motilidade intestinal, a ocorrência chegou a 55%. Em outra pesquisa, realizada com 290 pessoas com doença renal crônica, em diferentes modalidades de tratamento, dispepsia foi observada em 50%, náuseas em 45% e dor epigástrica em 44%”, ressalta ela.
“A presença desses sintomas exige uma avaliação individualizada. O paciente renal pode apresentar diversas queixas gastrointestinais, mas é importante investigar a causa. Nem todo estufamento, alteração intestinal ou desconforto abdominal significa SIBO. O diagnóstico precisa ser feito de forma criteriosa”, explica Roberta Barreto.
A SIBO – continua Roberta Barreto – acontece quando há crescimento excessivo ou alteração da população bacteriana no intestino delgado. O quadro pode provocar fermentação, gases, distensão abdominal e alterações do hábito intestinal. O diagnóstico pode envolver avaliação clínica e testes respiratórios, de acordo com a indicação médica.
A dieta Low FODMAP é uma abordagem nutricional que ajuda a controlar os sintomas
Para Roberta Barreto, a alimentação também pode fazer parte da estratégia para controlar os sintomas. A dieta Low FODMAP é uma abordagem nutricional que reduz, por um período determinado, alimentos ricos em carboidratos de cadeia curta, que são pouco absorvidos pelo intestino e podem ser rapidamente fermentados pelas bactérias. “Entre eles, estão alguns tipos de frutas, verduras, leite e seus derivados, além de leguminosas. A estratégia busca diminuir sintomas como gases, inchaço e dor abdominal e, posteriormente, os alimentos são reintroduzidos de forma gradual e individualizada”, reforça a nutricionista.
“Não podemos simplesmente retirar vários alimentos da dieta de um paciente renal sem considerar suas necessidades de potássio, fósforo, proteínas, sódio e líquidos. A dieta Low FODMAP, quando indicada, deve ser planejada e acompanhada por nutricionista. O objetivo não é apenas diminuir sintomas, mas preservar o estado nutricional e a qualidade de vida do paciente renal”, diz Roberta Barreto.
Acrescenta ainda ela que, nesses casos, médico e nutricionista precisam trabalhar juntos para identificar a causa e definir uma estratégia segura. “A recomendação é que sintomas persistentes sejam avaliados por profissionais de saúde. A identificação correta da causa permite evitar restrições alimentares desnecessárias e estabelecer um tratamento adequado às condições clínicas e nutricionais de cada paciente”, conclui Roberta Barreto, nutricionista do Grupo Uninefron.


