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Nefropatia por IgA: doença renal pode evoluir silenciosamente e exige atenção

Recife, 09 de outubro de 2026

Você já ouviu falar em nefropatia por IgA (IgAN)? Apesar de ainda ser pouco conhecida pela população, a doença é uma das formas mais comuns de glomerulonefrite primária no mundo e pode comprometer progressivamente a função dos rins. “A condição acontece quando a imunoglobulina A (IgA), uma proteína relacionada ao sistema imunológico, se deposita nos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtragem do sangue. A doença merece atenção porque pode apresentar diferentes formas de evolução e, em alguns casos, permanecer sem sintomas perceptíveis durante um longo período”, alerta o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron.

A nefropatia por IgA – continua Mário Henriques – é uma doença que pode se manifestar de formas muito diferentes. “Alguns pacientes apresentam alterações mais leves e permanecem estáveis por muitos anos, enquanto outros podem ter uma perda progressiva da função renal. Por isso, o acompanhamento com o nefrologista é fundamental para identificar precocemente os fatores de risco e definir a melhor estratégia para cada paciente”, explica.

Um dos sinais mais conhecidos da nefropatia por IgA é a presença de sangue na urina, chamada hematúria. “Também pode ocorrer perda de proteínas pela urina, conhecida como proteinúria. Em algumas pessoas, entretanto, essas alterações não provocam sintomas evidentes e são descobertas somente durante exames de rotina”, esclarece Mário Henriques.

Diagnóstico exige investigação, e doença pode evoluir para insuficiência renal

De acordo com Mário Henriques, a importância do diagnóstico e do acompanhamento está relacionada também ao risco de progressão. “Estudos indicam que aproximadamente 20% a 40% dos pacientes podem desenvolver doença renal terminal em um período de 10 a 20 anos, após o diagnóstico. Isso não significa que todos os pacientes terão essa evolução: o risco varia conforme características clínicas, laboratoriais e histológicas de cada pessoa”, ressalta o nefrologista.

O médico acrescenta que a investigação da nefropatia por IgA pode envolver exames de sangue e urina, avaliação da pressão arterial e análise da função renal. “Em situações indicadas pelo médico, pode ser necessária a realização de uma biópsia renal, que permite examinar o tecido do rim e identificar os depósitos de IgA”, lembra ele.

“O diagnóstico é muito importante porque nos permite conhecer o estágio da doença e avaliar o risco de progressão. A partir dessas informações, conseguimos individualizar o acompanhamento e o tratamento, levando em consideração a função renal, a pressão arterial, a proteinúria e outros fatores”, destaca Mário Henriques.

Tratamento da doença também passou por avanços importantes e ganhou novas estratégias terapêuticas

“O tratamento da nefropatia por IgA é individualizado e leva em consideração as características clínicas de cada paciente e o risco de progressão da doença. Entre os principais objetivos, estão o controle da pressão arterial, a redução da perda de proteínas pela urina e a preservação da função renal”, garante Mário Henriques, acrescentando que, de acordo com o quadro clínico e o perfil de risco, o nefrologista pode indicar diferentes estratégias terapêuticas, incluindo medicamentos específicos para controlar a doença e reduzir a possibilidade de progressão da lesão renal.

Mário Henriques destaca ainda que, nos últimos anos, o tratamento da nefropatia por IgA também apresentou avanços importantes, com o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas direcionadas aos mecanismos envolvidos na evolução da doença. “A diretriz KDIGO 2025 incorporou novas recomendações para o manejo desses pacientes, refletindo os avanços recentes na abordagem da doença e ampliando as possibilidades de tratamento”, orienta ele.

“Hoje temos um cenário diferente do que tínhamos alguns anos atrás. O conhecimento sobre os mecanismos da doença avançou e novas opções terapêuticas estão disponíveis. Isso permite que o tratamento seja cada vez mais direcionado ao perfil e ao risco de cada paciente. Apesar dos avanços, o acompanhamento médico continua sendo essencial. É importante que as pessoas não esperem aparecerem sintomas para cuidar dos rins. Alterações como sangue ou proteína na urina precisam ser investigadas. Quanto antes identificamos uma doença renal e seus fatores de risco, maiores são as possibilidades de adotar medidas para preservar a função dos rins”, orienta médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron.

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