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Olhos e pernas inchados: quando o acúmulo de líquido acende o alerta para a saúde dos rins

Recife, 25 de setembro de 2026

Acordar com o rosto inchado, especialmente na região dos olhos, e perceber que pernas e tornozelos ganham volume ao final do dia são queixas frequentes nos consultórios. Embora muitas vezes esses episódios sejam associados ao calor ou ao consumo excessivo de sal, eles podem ser sintomas de algo mais complexo: uma alteração no funcionamento dos rins. O alerta é da médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron. “O inchaço pode ser um dos primeiros sinais percebidos pelo paciente quando existe alguma alteração na função dos rins. Por isso, principalmente quando é persistente ou aparece sem uma causa aparente, ele merece atenção e investigação”, afirma ela.

Ainda de acordo com Vivianne Pinheiro, quando os rins perdem a capacidade de eliminar adequadamente o excesso de água e sódio, esse líquido pode se acumular no organismo e aparecer como inchaço, principalmente nas pernas, tornozelos e pés. “Os rins funcionam como filtros e reguladores do equilíbrio de água e sais minerais. Quando a função renal diminui, o organismo pode reter sódio e água. O líquido acumulado tende a se deslocar para os tecidos, provocando edema”, explica a nefrologista.

“É importante prestar atenção ao inchaço nos olhos porque ele pode ter uma relação diferente daquela observada nas pernas. Algumas doenças renais provocam perda de proteínas pela urina. Com a redução dessas proteínas no sangue, especialmente da albumina, o líquido tende a sair dos vasos sanguíneos e se acumular nos tecidos, podendo provocar edema no rosto e ao redor dos olhos”, relata Vivianne Pinheiro.

Isso não significa – continua a médica – que todo olho inchado seja um problema renal. “Alergias, noites mal dormidas, excesso de sal, alterações hormonais e outras condições também podem causar edema na região. O que merece atenção é a persistência do sintoma, principalmente quando ele aparece junto com inchaço nas pernas ou alterações na urina”, diz Vivianne Pinheiro. Acrescenta ainda que, no caso da urina, a presença persistente de espuma pode estar relacionada à perda de proteínas, embora não seja suficiente, sozinha, para determinar a existência de uma doença renal. Também devem ser observadas alterações na quantidade de urina, presença de sangue, aumento da pressão arterial e ganho rápido de peso, que pode ocorrer por retenção de líquidos”, esclarece ela.

A doença renal crônica, na maior parte do tempo, é

 assintomática e pode ser diagnosticada tardiamente

A médica Vivianne Pinheiro faz um outro alerta: “O paciente não deve esperar sentir dor nos rins para procurar ajuda. A doença renal crônica costuma evoluir de maneira silenciosa e, muitas vezes, os sintomas aparecem somente quando a função renal já está bastante comprometida. Por isso, alterações como inchaço persistente, pressão alta ou mudanças na urina precisam ser investigadas. Esse caráter silencioso é justamente um dos grandes desafios. A doença renal crônica, na maior parte do tempo, é assintomática e pode ser diagnosticada tardiamente, prejudicando o seu tratamento. “Quanto mais cedo uma alteração renal é identificada, maiores são as possibilidades de controlar os fatores que estão causando ou agravando a perda de função dos rins”, afirma ela.

Também é importante lembrar, mais uma vez, que o edema pode ter diversas outras causas. Problemas cardíacos, circulatórios e hepáticos, alterações hormonais, determinados medicamentos, excesso de sal e longos períodos sentados ou em pé podem provocar inchaço. Por isso, não é recomendado tentar descobrir a causa apenas observando o sintoma. “A investigação da função renal pode envolver exames de sangue, como a dosagem de creatinina e a estimativa da taxa de filtração glomerular, além de exames de urina para verificar a presença de proteínas, sangue e outras alterações. Teste de sangue e urina podem contribuir para a identificação precoce da disfunção renal, especialmente em pessoas que apresentam fatores de risco”, ressalta a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.

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