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Biomarcadores na nefrologia: avanços na detecção precoce da lesão renal

Recife, 27 de março de 2026

A avaliação da função renal desempenha um papel essencial na prática clínica, sendo fundamental para o diagnóstico, o prognóstico e o monitoramento das doenças renais. No entanto, essas condições geralmente permanecem assintomáticas até terem comprometido de 50% a 75% da função renal. “Diante desse cenário, é importante destacar a relevância dos biomarcadores como ferramentas essenciais para a detecção precoce da lesão renal. Eles permitem identificar danos nos rins antes que ocorra uma queda significativa na taxa de filtração glomerular (TFG)”, explica a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.

De acordo com a especialista, os biomarcadores na nefrologia são substâncias biológicas detectáveis e mensuráveis no sangue, na urina ou em outros fluidos corporais, que fornecem informações sobre a função e a saúde dos rins. “Eles são amplamente utilizados para detectar precocemente a lesão renal antes da redução da função renal; monitorar a progressão da doença renal crônica (DRC); diferenciar as causas da lesão renal (glomerular, tubular, inflamatória, isquêmica); e antecipar complicações, como insuficiência renal e necessidade de terapia renal substitutiva”, explica ela.

Creatinina sérica, TFGe, biomarcadores tradicionais

A médica Ângela Santos explica quais as diferenças e como são utilizados biomarcadores creatinina sérica e taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), que, na prática, são os dois mais utilizados biomarcadores tradicionais. A creatinina sérica é um dos principais marcadores laboratoriais da função renal. Produzida a partir do metabolismo da creatina nos músculos, ela é eliminada pelos rins por meio da filtração glomerular. Como vantagens, tem ampla disponibilidade, baixo custo e é útil para estimar a taxa, além de filtração glomerular (TFG). É indicada para o monitoramento da função renal ao longo do tempo”, garante a nefrologista.

Por outro lado, de acordo com a médica, a TFGe é um dos parâmetros mais importantes na avaliação da função renal, pois reflete a capacidade dos rins de filtrar e eliminar substâncias do sangue. “Ajuda no diagnóstico e monitoramento da doença renal crônica (DRC), na estratificação do risco de progressão e no ajuste de doses de medicamentos eliminados pelos rins”, explica Ângela Santos, acrescentando que, apesar de amplamente utilizados, os biomarcadores tradicionais apresentam baixa sensibilidade e especificidade para a detecção precoce de lesões renais, o que pode resultar na perda de oportunidades para intervenção terapêutica.

Entenda as divergências e limitações dos biomarcadores

Existem algumas divergências e limitações dos biomarcadores. A médica Ângela Santos explica quais são eles. Acompanhe:

Creatinina sérica

  • Baixa sensibilidade para lesões precoces – só se eleva quando mais de 50% da função renal já foi comprometida;
  • Influência de fatores não renais, como idade, sexo, massa muscular, dieta e hidratação;
  • Menos confiável em idosos, desnutridos, pacientes com sarcopenia ou amputações – pode apresentar valores falsamente baixos.

TFGe

  • Menos precisa em extremos de idade (crianças e idosos);
  • Imprecisa em indivíduos com pouca ou muita massa muscular (atletas, amputados, desnutridos);
  • Influenciada por fatores externos, como dieta proteica e uso de certos medicamentos.

Biomarcadores emergentes podem melhorar o

rastreamento e o tratamento precoce da lesão renal e da DRC

Diante dessas limitações, a médica Angela Santos ressalta que as pesquisas têm se voltado para novos biomarcadores, mais sensíveis e específicos para a detecção precoce de lesão renal. Fazem parte dessa lista os biomarcadores emergentes:

  • Cistatina C – Mais sensível que a creatinina para detectar pequenas reduções na TFG e menos influenciada pela massa muscular;
  • Beta-2 Microglobulina – Indicador precoce de disfunção tubular e glomerular;
  • KIM-1 (Kidney Injury Molecule-1) – Sensível para detectar lesão tubular proximal e progressão da DRC;
  • TGF-β (Fator de Crescimento Transformador Beta) – Associado à fibrose renal e à progressão da DRC;
  • FGF-23 (Fator de Crescimento de Fibroblastos-23) – Elevado nas fases iniciais da DRC, indica desregulação do metabolismo mineral.

A especialista ressalta que a implementação desses novos biomarcadores na prática clínica ainda depende de estudos rigorosos em diferentes contextos. “Futuros estudos podem consolidar esses biomarcadores como ferramentas essenciais para melhorar o rastreamento e o tratamento precoce da lesão renal e da DRC. Além disso, a combinação de múltiplos biomarcadores pode aumentar a precisão do diagnóstico e permitir intervenções mais eficazes”, conclui a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.

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