Recife, 11 de setembro de 2026
“Quando se fala em trombose, é comum pensar imediatamente em um problema relacionado à circulação das pernas. Mas a formação de coágulos pode ter relações importantes com outros sistemas do organismo, inclusive com os rins”. O alerta é do médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron, reforçando a divulgação do Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, que acontece na próxima quarta-feira, 16 de setembro. “Nessa data, devemos acender o alerta para os cuidados com a saúde renal e valorizar a necessidade de atenção a condições que podem aumentar a predisposição à formação de trombos”, ressalta ele.
O nefrologista esclarece ainda que os rins e o sistema circulatório estão diretamente conectados. “Alterações na função renal podem modificar o equilíbrio de substâncias envolvidas na coagulação e, em algumas doenças renais, aumentar o risco de eventos trombóticos. Um dos principais exemplos dessa relação é a síndrome nefrótica, uma condição em que ocorre perda importante de proteínas pela urina. “Essas proteínas são substâncias que participam do equilíbrio da coagulação. Quando há uma redução significativa desses fatores, o organismo pode ficar mais propenso à formação de coágulos. Por isso, dependendo da intensidade da doença e de outros fatores de risco, o acompanhamento deve ser bastante cuidadoso”, explica Mário Henriques.
Os números ajudam a dimensionar esse risco. De acordo com Mário Henriques, uma revisão científica aponta que o tromboembolismo ocorre em cerca de 10% dos pacientes com síndrome nefrótica, embora os índices variem de acordo com o perfil dos pacientes e a causa da doença. “Em estudos específicos, foram observadas taxas aproximadas de 15% para trombose venosa profunda, 10% a 30% para embolia pulmonar e 25% a 37% para trombose da veia renal”, garante o nefrologista.
Mário Henriques destaca ainda que a doença renal crônica também merece atenção especial. Pessoas com comprometimento da função dos rins podem apresentar alterações cardiovasculares e metabólicas que tornam o quadro de saúde mais complexo. “Além disso, pacientes com doença renal avançada podem apresentar maior risco de complicações circulatórias, especialmente quando outros fatores de risco estão presentes”, afirma.
O rim também pode ser afetado diretamente pela presença
de um trombo, embora em situações menos frequentes
A relação entre trombose e rins, entretanto, não acontece apenas quando uma doença renal favorece a formação de coágulos. Segundo Mário Henriques, em situações menos frequentes, o próprio rim pode ser afetado diretamente pela presença de um trombo. “É o caso da trombose da veia renal, quando um coágulo bloqueia o fluxo sanguíneo responsável pela drenagem do rim. É importante lembrar que a trombose pode se manifestar de diferentes formas e que nem todo risco é evidente no dia a dia. Por isso, pessoas que apresentam doenças renais ou outros fatores predisponentes precisam manter o acompanhamento médico e não interromper tratamentos por conta própria”, orienta o médico.
A prevenção – continua Mário Henriques – passa por medidas que beneficiam tanto a circulação quanto a função renal. “Controle da pressão arterial e do diabetes, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, manutenção de um peso saudável e não fumar estão entre os cuidados importantes. Para quem já apresenta doença renal, histórico de trombose ou outras condições que aumentem o risco de coagulação, o acompanhamento individualizado é fundamental. Mais do que uma data de conscientização, o 16 de setembro reforça a importância de olhar para a saúde de forma integrada. Cuidar dos rins também significa cuidar da circulação, e reconhecer os fatores de risco pode fazer diferença na prevenção de complicações”, finaliza o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron.


