Recife, 28 de agosto de 2026
Neste mês do Agosto Dourado, campanha que reforça a importância do aleitamento materno, um tema ainda cercado de dúvidas, merece destaque: mulheres que fazem diálise também podem amamentar? De acordo com a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron, embora a doença renal crônica exija cuidados específicos durante a gestação e o pós-parto, o tratamento não impede, por si só, a lactação.
“O sucesso da amamentação depende de um acompanhamento médico individualizado e multidisciplinar. A diálise não impede que a mulher amamente. Com planejamento adequado, avaliação criteriosa dos medicamentos e acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional, é possível oferecer o leite materno ao bebê de forma segura, preservando a saúde da mãe e da criança”, garante Ângela Santos.
A nefrologista destaca ainda que, no caso das pacientes em diálise, a gravidez é considerada de alto risco e exige acompanhamento constante. A doença renal crônica compromete a capacidade dos rins de filtrar toxinas e regular o equilíbrio de líquidos e eletrólitos, tornando a diálise essencial para manter o funcionamento do organismo. “Mesmo diante desse fatos, os avanços na nefrologia têm permitido que um número cada vez maior de mulheres realize uma gestação segura e possa amamentar seus filhos”, afirma ela.
Alguns cuidados garantem que a amamentação aconteça de forma segura
A médica Ângela Santos reforça a cautela que as mães precisam ter durante o ciclo do aleitamento. “Alguns cuidados são indispensáveis para garantir que a amamentação aconteça de forma segura. Cada paciente apresenta uma realidade diferente. Por isso, analisamos cuidadosamente os medicamentos em uso, o estado nutricional, os exames laboratoriais e o controle hídrico. Em muitos casos, também orientamos a melhor programação entre as sessões de diálise e os horários da amamentação para proporcionar maior segurança ao bebê e à mãe”, explica a nefrologista.
Entre os fatores que exigem maior atenção, a médica reforça que está justamente o uso de medicamentos. “Alguns fármacos administrados durante o tratamento renal podem passar para o leite materno, sendo necessária a substituição ou adequação das doses. Além disso, mulheres em diálise precisam ter um rigoroso acompanhamento da alimentação, além de manter, com supervisão médica, a restrição de líquido, uma vez que a produção de leite aumenta a demanda energética e nutricional do organismo”, ressalta Ângela Santos.
Ainda de acordo com a especialista, outro ponto importante é a frequência das sessões de diálise. Dependendo da condição clínica da paciente, a equipe médica pode orientar que a amamentação ocorra logo após o procedimento, quando há melhor equilíbrio metabólico. A recomendação, entretanto, varia conforme o quadro de cada mulher.
A importância do acompanhamento especializado
e realizado por uma equipe multiprofissional
A nefrologista Ângela Santos destaca a importância do monitoramento técnico e qualificado. “O acompanhamento multiprofissional faz toda a diferença. Nefrologista, obstetra, pediatra, nutricionista e equipe de enfermagem trabalham de forma integrada para que mãe e bebê tenham segurança durante esse período. A informação correta ajuda a quebrar mitos e permite que muitas mulheres realizem o desejo de amamentar”, destaca a médica.
Embora ainda existam muitos desafios, a especialista reforça que a doença renal crônica não deve ser vista como uma contraindicação automática ao aleitamento materno. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando as condições clínicas da paciente e as necessidades do recém-nascido.
Neste Agosto Dourado, a principal mensagem é que informação e acompanhamento especializado fazem toda a diferença. “Com assistência médica adequada, planejamento do tratamento e monitoramento contínuo, mulheres em diálise podem vivenciar, sim, a maternidade de forma mais segura e proporcionar aos seus filhos os inúmeros benefícios do leite materno, fortalecendo o vínculo entre mãe e bebê e promovendo mais saúde para ambos”, conclui a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.


