Recife, 07 de agosto de 2026
O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, reforça a importância de manter os níveis de colesterol dentro dos valores recomendados para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. Mas os benefícios desse cuidado vão além da saúde do coração. De acordo com o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron, muitas pessoas não sabem que o colesterol elevado também pode comprometer o funcionamento dos rins. “Como esses órgãos dependem de uma circulação sanguínea adequada para filtrar o sangue, alteração nos vasos decorrente das placas de colesterol pode afetar diretamente o fluxo de sangue e com isso redução da sua função”, ressalta
Segundo Mário Henriques, o colesterol elevado é um problema que atinge milhões de brasileiros. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que cerca de 40% da população adulta apresenta níveis elevados de colesterol, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. “Além disso, estima-se que as doenças cardiovasculares sejam responsáveis por aproximadamente 400 mil mortes por ano no Brasil, muitas delas associadas a fatores de risco modificáveis, como dislipidemia, hipertensão, diabetes e tabagismo”, destaca o nefrologista.
Embora seja uma substância essencial para o organismo, participando da produção de hormônios, da vitamina D e da estrutura das células, o colesterol passa a representar um risco quando seus níveis, especialmente do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, permanecem elevados. “O excesso dessa gordura favorece a formação de placas nas paredes das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando as chances de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças vasculares, que podem prejudicar também o funcionamento dos rins”, destaca Mário Henriques.
Colesterol elevado pode provocar surgimento
ou progressão da doença renal crônica
Nos rins, o colesterol elevado também pode trazer consequências importantes. “Com a circulação comprometida, os pequenos vasos responsáveis por levar sangue aos órgãos podem sofrer danos, prejudicando a capacidade de filtração e favorecendo o surgimento ou a progressão da doença renal crônica. Os rins funcionam como verdadeiros filtros do organismo e precisam receber sangue em quantidade suficiente para exercer essa função. Quando os vasos são afetados pelo acúmulo de colesterol, o risco de perda progressiva da função renal aumenta”, garante Mário Henriques.
De acordo com o nefrologista, relação entre colesterol e saúde renal é ainda mais complexa porque pacientes com doença renal crônica frequentemente apresentam alterações no metabolismo das gorduras, o que pode elevar ainda mais os níveis de colesterol e aumentar o risco cardiovascular. “Pessoas com doença renal crônica têm um risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares, que representam a principal causa de morte nesse grupo de pacientes. É uma via de mão dupla. O colesterol alto pode acelerar o comprometimento dos rins, e a doença renal também favorece alterações nos lipídios, aumentando o risco de complicações cardiovasculares”, afirma o médico.
Outro ponto de atenção é que tanto o colesterol elevado quanto a doença renal crônica costumam evoluir de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais. “Por isso, exames periódicos são fundamentais para identificar alterações precocemente. Além do perfil lipídico, a avaliação da função renal, por meio da creatinina, da taxa de filtração glomerular estimada e da pesquisa de albumina na urina, permite detectar sinais precoces de comprometimento dos rins e iniciar o tratamento no momento adequado”, esclarece Mário Henriques.
Para proteger a saúde cardiovascular e renal,
a prevenção continua sendo o melhor caminho
O médico Mário Henriques garante que a prevenção continua sendo a melhor estratégia para proteger a saúde cardiovascular e renal. “Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do tabagismo, consumo moderado de bebidas alcoólicas e acompanhamento médico são medidas capazes de reduzir os níveis de colesterol e preservar o funcionamento dos vasos sanguíneos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada, por semana, para adultos, medida que contribui tanto para o controle do colesterol quanto para a prevenção de doenças crônicas”, lembra ele.
Em algumas situações, especialmente entre pessoas com hipertensão, diabetes, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou doença renal crônica, mudanças no estilo de vida podem não ser suficientes. “Nesses casos, o tratamento medicamentoso pode ser indicado para controlar os níveis de colesterol e diminuir o risco de complicações. Cada paciente deve ser avaliado de forma individual. O tratamento precoce reduz significativamente as chances de eventos cardiovasculares e ajuda a preservar a função dos rins ao longo dos anos. O mais importante é não esperar os sintomas aparecerem para procurar acompanhamento médico”, conclui o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron.


