Recife, 24 de julho de 2026
Com a chegada das baixas temperaturas, muitas pessoas passam a beber menos água, já que a sensação de sede diminui durante o inverno. Embora pareça um hábito sem maiores consequências, essa redução na ingestão de líquidos pode comprometer a saúde dos rins. “É um erro acreditar que o organismo precisa de menos água apenas porque está frio. Os rins continuam trabalhando da mesma forma durante o inverno e dependem de uma boa hidratação para filtrar o sangue, eliminar toxinas e manter o equilíbrio do organismo”, alerta a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.
De acordo com ela, ao contrário do que muitos imaginam, o risco de desidratação não está restrito aos dias quentes. “Durante o inverno, apesar da menor transpiração, o organismo continua perdendo líquidos pela respiração, pela urina e pelas atividades diárias. Como o frio reduz o estímulo natural da sede, é comum que a ingestão de água fique abaixo do necessário, favorecendo a desidratação”, destaca a nefrologista.
“Quando o corpo recebe menos líquidos, a urina torna-se mais concentrada favorecendo a formação de cálculos renais (pedras nos rins), aumentando o risco de infecções urinárias e podendo comprometer temporariamente a função renal, especialmente em pessoas que já apresentam doenças crônicas”, explica Vivianne Pinheiro.
Ainda segundo a médica, a prevenção é simples e deve fazer parte da rotina. “A urina muito escura é um sinal de alerta para baixa hidratação. O ideal é não esperar sentir sede para beber água. Manter uma ingestão regular de líquidos ajuda os rins a desempenharem suas funções adequadamente e reduz o risco de diversas complicações”, garante ela.
Outro ponto importante é que a sede não deve ser o único indicador para beber água. Quando ela aparece, o organismo já pode estar iniciando um quadro de desidratação. Por isso, especialistas recomendam manter uma rotina de hidratação ao longo do dia, independentemente da temperatura ambiente.
População idosa merece atenção especial no inverno
A nefrologista Vivianne Pinheiro lembra que os idosos merecem um cuidado ainda maior durante o inverno. Segundo ela, com o envelhecimento, o mecanismo da sede torna-se menos eficiente, fazendo com que muitas pessoas consumam pouca água sem perceber. “Além disso, alterações naturais da função renal relacionadas à idade, associadas à maior frequência de doenças como hipertensão, diabetes e doença renal crônica, tornam esse grupo mais vulnerável aos efeitos da desidratação”, alerta.
A ingestão insuficiente de líquidos por parte dos idosos pode favorecer a piora da função dos rins, aumentar o risco de infecções urinárias, contribuir para episódios de confusão mental e elevar o risco de internações. “Ao contrário do que ocorre em indivíduos mais jovens, a perda de fluidos em idosos geralmente se apresenta com sinais e sintomas inespecíficos e eles, frequentemente, não percebem que estão desidratados. Muitas vezes, quando surgem sintomas como fraqueza, tontura ou confusão mental, a desidratação já está instalada. Por isso, familiares e cuidadores têm um papel fundamental em estimular a ingestão de água ao longo do dia”, orienta Vivianne Pinheiro.
Algumas medidas simples ajudam a manter a hidratação durante os dias frios. “Ter sempre uma garrafa de água por perto, estabelecer horários para beber líquidos, consumir frutas ricas em água e incluir sopas e caldos com baixo teor de sal na alimentação são estratégias que contribuem para o bom funcionamento dos rins. Chás também podem ser uma opção, desde que não substituam completamente a água e sejam consumidos com orientação médica quando houver restrições específicas”, completa a nefrologista.
Vale lembrar que pessoas com doença renal crônica avançada ou em tratamento dialítico podem necessitar de controle rigoroso da ingestão de líquidos. Nesses casos, a quantidade ideal de água deve ser definida pelo nefrologista, evitando tanto a desidratação quanto a sobrecarga de líquidos. “Manter-se hidratado é uma das formas mais simples e eficazes de cuidar da saúde renal. Pequenas atitudes diárias fazem diferença na prevenção de doenças e na preservação da função dos rins, especialmente entre idosos e pacientes com fatores de risco”, conclui a médica Vivianne Pinheiro, nefrologista do Grupo Uninefron.


