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Dia Mundial da Alergia: nefrologista alerta para os impactos das doenças alérgicas na saúde dos rins

Recife, 10 de julho de 2026

Celebrado na última quarta-feira, em 8 de julho, o Dia Mundial da Alergia chama a atenção para uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Alergia (WAO), entre 30% e 40% da população mundial convive com algum tipo de doença alérgica, como rinite, asma, dermatite atópica, urticária e alergias alimentares. “Embora esses problemas sejam mais conhecidos por afetarem as vias respiratórias e a pele, eles também podem trazer consequências sérias para a saúde renal”, alerta a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.

De acordo com ela, as pessoas costumam associar a alergia apenas aos espirros, à coceira ou às manchas na pele. “Mas algumas reações inflamatórias podem atingir outros órgãos, incluindo os rins. Além disso, o uso inadequado de medicamentos para controlar os sintomas pode representar um risco importante para a função renal”, explica Ângela Santos.

Uma das principais complicações, continua Ângela Santos, é a nefrite intersticial alérgica, uma inflamação do tecido renal geralmente desencadeada por reações de hipersensibilidade a medicamentos, especialmente antibióticos, anti-inflamatórios não esteroides e alguns medicamentos de uso contínuo. A doença pode causar redução da função renal e, quando não tratada precocemente, evoluir para insuficiência renal.

“A nefrite intersticial alérgica é uma condição pouco conhecida pela população, mas relativamente frequente entre as causas de lesão renal aguda provocadas por medicamentos. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para interromper a inflamação e preservar a função dos rins”, destaca Ângela Santos.

Automedicação de anti-inflamatórios e de outros medicamentos pode aumentar significativamente o risco de lesão renal

A nefrologista Ângela Santos destaca outro ponto de atenção: a automedicação. Segundo ela, em períodos de maior incidência de alergias, como durante mudanças de estação, é comum que muitas pessoas recorram por conta própria a diferentes medicamentos para aliviar sintomas. “Embora antialérgicos sejam, em geral, seguros quando utilizados corretamente, o uso frequente de anti-inflamatórios e de outros medicamentos sem orientação médica pode aumentar significativamente o risco de lesão renal, principalmente entre idosos e pacientes com hipertensão, diabetes ou doença renal crônica”, garante a médica.

“Nem sempre o problema está no antialérgico em si, mas na associação de medicamentos ou no uso repetitivo de anti-inflamatórios para aliviar dores e inflamações relacionadas às crises alérgicas. Essa prática pode sobrecarregar os rins e favorecer o desenvolvimento de lesões renais”, ressalta Ângela Santos.

Relação entre alergias e rins também acontece no sentido inverso

A relação entre alergias e rins também acontece no sentido inverso, adverte Ângela Santos. Segundo ela, pacientes com doença renal crônica em estágios mais avançados frequentemente apresentam sintomas cutâneos que podem ser confundidos com reações alérgicas. A coceira intensa, conhecida como prurido urêmico, acomete entre 20% e 50% das pessoas com doença renal crônica avançada, especialmente aquelas em tratamento dialítico. O sintoma é provocado pelo acúmulo de toxinas, que deixam de ser eliminadas adequadamente pelo organismo.

“Nem toda coceira persistente tem origem alérgica. Quando esse sintoma vem acompanhado de inchaço, alterações urinárias, fadiga ou pressão alta, é importante investigar também a saúde dos rins. Muitas doenças renais evoluem de forma silenciosa e podem se manifestar inicialmente por sinais que parecem não ter relação com o problema”, orienta Ângela Santos.

Neste Dia Mundial da Alergia, a especialista reforça que a prevenção passa pelo controle adequado das doenças alérgicas, evitando crises frequentes e o uso indiscriminado de remédios. “Também é fundamental manter hábitos saudáveis, como boa hidratação, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial e da glicemia, além da realização periódica de exames, principalmente para pessoas que apresentam fatores de risco para doenças renais. O acompanhamento médico e o uso consciente de medicamentos são fundamentais para preservar tanto a qualidade de vida quanto a saúde dos rins”, concluiu a médica Ângela Santos, nefrologista do Grupo Uninefron.

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