Recife, 03 de julho 2026
Neste mês, as atenções estão voltadas para a campanha Julho Amarelo, ação nacional de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das hepatites virais. Quando se fala no tema, a preocupação costuma recair sobre os danos causados ao fígado. “No entanto, essas infecções silenciosas também podem comprometer outros órgãos importantes, como os rins, ampliando os riscos à saúde”, alerta o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron, reforçando a importância do diagnóstico precoce para evitar inflamações e lesões e, consequentemente, a perda progressiva da função renal.
De acordo com Mário Henriques, essa associação entre hepatites viárias e saúde renal ainda é pouco conhecida pela população. “Muitas pessoas não sabem que as hepatites virais podem afetar diretamente os rins. Os vírus das hepatites B e C podem desencadear alterações imunológicas capazes de provocar doenças renais importantes, tornando fundamental o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado”, destaca.
As hepatites B e C – que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge cerca de 304 milhões pessoas no mundo – podem provocar glomerulonefrites, inflamações que acometem os glomérulos, estruturas microscópicas responsáveis pela filtração do sangue nos rins. “Entre os sinais de alerta, estão inchaço nas pernas, aumento da pressão arterial, alterações urinárias e presença de proteína ou sangue na urina. Em muitos casos, porém, os sintomas só aparecem quando a doença já está em estágio avançado”, relata Mário Henriques.
Presença simultânea de doença hepática e renal
exige uma abordagem multidisciplinar
O nefrologista Mário Henriques ressalta que a presença simultânea de doença hepática e renal exige uma abordagem multidisciplinar. “O comprometimento de dois órgãos vitais torna o tratamento mais complexo. Por isso, é fundamental que nefrologistas e hepatologistas atuem de forma integrada para oferecer um cuidado completo ao paciente”, garante ele.
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que mais de 157 mil brasileiros realizam diálise atualmente, número que cresce a cada ano. “Entre esses pacientes, a prevenção e o monitoramento das hepatites virais são fundamentais, uma vez que pessoas com doença renal crônica apresentam maior vulnerabilidade e necessitam de acompanhamento constante”, afirma Mário Henriques.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 750 mil casos de hepatites virais foram notificados entre 2000 e 2023. “Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, ainda há um número significativo de pessoas que convivem com a infecção sem saber. O grande desafio continua sendo o diagnóstico precoce. As hepatites virais costumam ser silenciosas durante muitos anos. Quando identificamos a doença no início, conseguimos reduzir consideravelmente o risco de complicações hepáticas e renais”, destaca o nefrologista.
Segundo Mário Henriques, a prevenção continua sendo a principal estratégia de combate às hepatites virais, como a aplicação da vacina contra a hepatite B, que está disponível para todas as faixas etárias. Além disso, testes rápidos permitem a identificação precoce das infecções, facilitando o acesso ao tratamento adequado. “Outro avanço importante é o tratamento da hepatite C, que atualmente apresenta índices de cura superiores a 95%, com medicamentos antivirais de ação direta. Quanto mais cedo o paciente recebe o diagnóstico, maiores são as chances de evitar danos permanentes ao fígado e aos rins”, ressalta o nefrologista.
Neste Julho Amarelo, a mensagem é clara: cuidar da saúde hepática também significa proteger a saúde renal. “A realização de exames periódicos, a vacinação, a adoção de hábitos saudáveis e a busca por orientação médica diante de fatores de risco são medidas essenciais para reduzir o impacto das hepatites virais e promover mais qualidade de vida à população”, concluiu o médico Mário Henriques, nefrologista do Grupo Uninefron.


